quinta-feira, 4 de março de 2010

O síndroma da super-mãe...

Hoje estou um bocado em baixo...
Tenho andado muito contente com os preparativos e a chegada da celebração do primeiro aniversário do nascimento da moyinha, e tenho-me lembrado de como me sentia há um ano atrás: redonda e entusiasmada com os acontecimentos futuros!
No entanto, a vida familiar mudou e enquanto há um ano eu era apaparicada, hoje sou criticada... Temos passado por um período de adaptação e aprendizagem; e quando eu pensava que estava tudo a entrar nos eixos (já temos uma rotina diária, temos uma ama que fica com a menina, estou a conseguir ter produtividade no trabalho apesar de estar a trabalhar menos horas que antes), eis que é esperado que eu seja a super-mãe, a super-mulher, a super-bolseira...
Se deito a menina tarde, "não a vemos acordada antes de ir trabalhar"...
Se a deito cedo, "não a vejo acordada quando chegamos"...
Se não tenho vontade (a.k.a, tempo), "há infinidades que não somos íntimos"...
Se me apetece, "agora estou a trabalhar/quero brincar com a moyinha"...
Se saio cedo do trabalho, "sou uma privilegiada"...
Se saio tarde do trabalho, "sou uma mãe indisponível"...
Se nos acordo cedo, "sou mandona"...
Se não nos acordo cedo, "sou mandriona"...

Há que encontrar um meio-termo. Não digo que a melhor solução seja ficar em casa (nem isso me seria "permitido"): acho que a mulher deve ter uma actividade, pelo menos em part-time, que a permita exprimir-se e visualizar-se fora da esfera familiar. Mas também não concordo com os dias de 16 horas de trabalho ou semanas de 5 dias de trabalho... A mulher não é só profissional: também tem direito a ser parte integrante e responsável pela sua família!Há uns posts interessantes sobre esta temática aqui. Deixaremos de ser menos mulheres se trabalharmos menos? Deixaremos de ser melhores mães se trabalharmos mais? E os nossos filhos? Serão melhores filhos em que circunstâncias?
Não posso generalizar, porque hoje em dia os homens estão muito mais participativos na vida familiar, mas esse facto também os torna muito mais críticos: se dantes queriam lá saber se a menina tinha collants e casaco quando saía, agora até querem determinar a cor dos mesmos. E ai de nós, super-mães, que nos esqueçamos da cor certa!

Há maneiras de dizer as coisas. E a forma como as frustrações do dia-a-dia estão a ser comunicadas não é a melhor... De todo. É de supetão e com brusquidão.

Vá lá que já estamos inscritos num curso de comunicação não-violenta (CNV)...
...ah! ...muitos parabéns a mim, por ter sido mamã há quase um ano...

5 comentários:

We Are Not Typical - WANT disse...

eu acredito que os pequenos conflitos e dúvidas fazem parte de uma vida familiar saudável. Só quando não há diálogo é que tudo é perfeito :)

em que diz nasceu a menina?

beijinhos

Cat disse...

vou-te oferecer um livro que vais amar... so nao te consigo levar ja amanha... Laura Gutman...
Depois falamos melhor.

Muita força!

A esta hora estava eu a chegar a casa do parto do gabriel e a receber um sms teu:)

ADORO-VOS!

moya disse...

Olá Cats!
Muito obrigada pelas vossas mensagens e pela vossa força.
A esta hora (1:39 a.m.) há um ano atrás estava eu já com contrações que me acordavam e ia a caminho do duche para tomar uma banhoca! hehe! Ela nasceu às 9h da manhã de dia 6!

Patricia S disse...

O meu companheiro, que segue os princípios budistas há algum tempo, ensinou-me várias coisas importantes para quem ferve em pouca água como eu: o tempo, o tempo, o tempo é fundamental. Dar tempo para não falar, dar tempo para não precipitar a discussão "a quente", dar tempo para chegar ao momento certo...
E tem resultado.
Muita força de Mulher com M enorme!

moya disse...

Obrigada Patrícia.
Eu também sei que quando o "touro" está furibundo, o melhor é sair da frente até ele acalmar. Mas também sei que há momentos que passam e que não voltam mais... E este foi um desses... A vida já voltou ao normal, mas a memória de como eu vivi o 1º aniversário da moyinha vai ficar para sempre, e por enquanto não vai para a lista dos melhores momentos em família... a não ser para recordar todos os amigos que me apoiaram nesta altura.