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segunda-feira, 2 de abril de 2012
No-no-no? ou Yeah-yeah-yeah? Como olhar para o parto fisiológico, por Ina May Gaskin [Lindo!]
Adoro esta mulher...
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Primeiros momentos após a expulsão
Como os últimos posts têm sido um pouco melancólicos, deixo aqui um artigo bonito cujo link gravei há uns meses para partilhar aqui no blog. Este artigo fala sobre a transição materno-fetal para materno-neonatal: http://cord-clamping.com/2011/12/19/mother-baby-after-birth/#comment-149, ou, traduzindo para miúdos, os primeiros momentos após a expulsão do bébé. Deixo alguns excertos (em itálico):
I remember feeling so relieved the birth was over and shocked by the appearance of a new person in the room! It instinctively felt right to pause and watch my baby from above. My instincts to remain upright and leave my baby for the time being would have resulted in a rapid placental transfusion of blood to my baby, as her lungs and other organs transitioned to independent functioning.
(...)
I do wonder if more women gave birth without interference (or out of water maybe), would we be more accustomed to seeing mother-directed third stage of labour - where women might have a short rest before attending to her baby - and have a greater appreciation and understanding of physiological fetal-to-neonatal transition?
E vocês? como foram os vossos primeiros minutos com o vosso bébé?
Eu lembro-me de duas coisas principais:
- A primeira era que, tal como na maior parte dos vídeos de partos, para mim estava implícito que alguém agarraria o bébé ao nascer. Tal não foi discutido previamente mas eu assumi que a parteira o fizesse, visto que eu estava de quatro dentro da piscina.
- Logo após a expulsão, tive uma sensação de alívio imenso e imensa surpresa por já estar "despachada" que fiquei em "pause" a apreciar o momento até ouvir a minha parteira pedir para eu me virar e pegar na moyinha e aí tudo acelerou.
Não critico de forma alguma a maneira como as coisas foram conduzidas, mas ler este artigo, deixou-me mais descansada em relação algumas reacções que eu não conseguia explicar e deixou-me com vontade de fazer as coisas de outra forma se tiver uma nova oportunidade para isso. O que acabou por acontecer foi que tive que me virar para pegar nela passados poucos segundos e fiquei com ela ao colo. No instante seguinte o pai entrou com a minha permissão para dentro da piscina e a parteira fez as primeiras observações com ela ao meu colo. A câmara estava a filmar esses primeiros momentos pela mão da doula. Tudo como eu tinha previamente pedido. Depois começou a parte que eu não tinha previsto: as contrações dolorosas para a expulsão da placenta, a minha preocupação em ter condições para que fosse feita a recolha de sangue do cordão umbilical, o facto de estar preocupada com o barulho que tinha feito e com os vizinhos, ou a possibilidade de visita inesperada da minha mãe lá a casa (ela não sabia que tínhamos entrado em t.p. nem que iamos ter a moyinha em casa) e não era assim que eu queria que ela soubesse. Penso que terá sido todo este stress que fez com que a minha dequitadura tenha demorado o mesmo tempo que o próprio parto activo (~5h) apesar de a placenta já se ter destacado por completo logo passada 1h do parto da moyinha. Este facto "impediu-me" de estar as primeiras horas a ligar-me com a minha filha (ela mamou a primeira hora, mas depois eu refugiei-me na w.c. porque estava com muitas dores e só queria que a placenta nascesse para poder voltar para ela para que ela não me ouvisse em dores). Por um lado foi estupidez porque eu já sabia que o facto de ela mamar ajudava o útero a contrair e tal até podia acelerar o processo de dequitadura. Ela foi-me trazida várias vezes para mamar, mas o restante tempo ficou ao colo do pai, a chuchar no seu dedo mindinho (o que eu acho que prejudicou e muito as primeiras semanas de amamentação, visto que ela memorizou que só precisava abrir um bocadinho a boca para que o dedo entrasse e quando passava para a mama fazia a pega da mesma forma. Consequência: má pega - dor - fissuras - mais dor - crostas - dor. Mas felizmente com muita paciência, lágrimas e ajuda conseguimos estabelecer uma excelente pega e continuidade na amamentação).
O médico obstetra Michel Odent refere (penso que é no Childbirth in the Age of Plastics) que os primeiros momentos após o nascimento são muito importantes na ligação progenitora-cria e que a mãe e o bébé devem ter oportunidade de criar esse laço sem a interferência de terceiros ou muita agitação. A parteira pode monitorizar as coisas, mas de preferência de longe, se tudo estiver bem. Ele refere que nesses breves minutos há um fluir de hormonas mais forte que em qualquer momento subsequente e tal deve ser respeitado pelos outros e aproveitado pela mãe para criar o bonding com o seu bébé.
Eu tive mais sorte que a maior parte das mulheres que nem descanso têm e são logo "forçadas" a parir a placenta imediatamente ou vêem os seus bébés retirados dos braços para medir/pesar/limpar... Mas faz pensar que realmente os primeiros momentos entre mamã e bébé deviam ser mais calmos e respeitados pela sua importância num sem número de níveis, em especial por ser um instinto primário de manter o bébé a um nível abaixo do nível da placenta para facilitar a transfusão de mais sangue para o bébé, o que é benéfico para o seu começo de vida.
Eu própria me senti culpada mais tarde: "Como é que eu não peguei logo nela?" E no entanto isso tem uma explicação fisiológica:
It is instinct in some mammals to rest in the first 30s-1m or so after birth – leaving the baby undisturbed during placental transfusion. Do we have these same instincts, to be above our babies, to gaze at and touch our babies, to watch them breathe and check the cord…before lifting our babies up??
I know some women interpret their responses and feelings immediately after birth as somehow “not caring about the baby at first”. Some women feel surprised or even ashamed they were not instantly responsive to their newborn. But what if this ‘rest and be thankful’ stage is protective, provides babies with a faster, less complicated transition, and restored blood volume quicker after birth??
Outro artigo que encontrei entretanto sobre o tema, do Dr. M. Odent:
Their [the midwives] other goal is to make sure the mother is not distracted at all [during the 1st hour after birth] while looking at the baby’s eyes and feeling contact with the baby’s skin. There are countless avoidable ways of distracting mother and baby at that stage. The mother can be distracted because she feels observed or guided, because somebody is talking, because the birth attendant wants to cut the cord before the delivery of the placenta, because the telephone rings, or because a light is suddenly switched on, etc. At that stage, after a birth in physiological conditions, the mother is still in a particular state of consciousness, as if "on another planet." Her neocortex is still more or less at rest. The watchword should be, "Don’t wake up the mother!"
Boas leituras,
m.
I remember feeling so relieved the birth was over and shocked by the appearance of a new person in the room! It instinctively felt right to pause and watch my baby from above. My instincts to remain upright and leave my baby for the time being would have resulted in a rapid placental transfusion of blood to my baby, as her lungs and other organs transitioned to independent functioning.
(...)
I do wonder if more women gave birth without interference (or out of water maybe), would we be more accustomed to seeing mother-directed third stage of labour - where women might have a short rest before attending to her baby - and have a greater appreciation and understanding of physiological fetal-to-neonatal transition?
E vocês? como foram os vossos primeiros minutos com o vosso bébé?
Eu lembro-me de duas coisas principais:
- A primeira era que, tal como na maior parte dos vídeos de partos, para mim estava implícito que alguém agarraria o bébé ao nascer. Tal não foi discutido previamente mas eu assumi que a parteira o fizesse, visto que eu estava de quatro dentro da piscina.
- Logo após a expulsão, tive uma sensação de alívio imenso e imensa surpresa por já estar "despachada" que fiquei em "pause" a apreciar o momento até ouvir a minha parteira pedir para eu me virar e pegar na moyinha e aí tudo acelerou.
Não critico de forma alguma a maneira como as coisas foram conduzidas, mas ler este artigo, deixou-me mais descansada em relação algumas reacções que eu não conseguia explicar e deixou-me com vontade de fazer as coisas de outra forma se tiver uma nova oportunidade para isso. O que acabou por acontecer foi que tive que me virar para pegar nela passados poucos segundos e fiquei com ela ao colo. No instante seguinte o pai entrou com a minha permissão para dentro da piscina e a parteira fez as primeiras observações com ela ao meu colo. A câmara estava a filmar esses primeiros momentos pela mão da doula. Tudo como eu tinha previamente pedido. Depois começou a parte que eu não tinha previsto: as contrações dolorosas para a expulsão da placenta, a minha preocupação em ter condições para que fosse feita a recolha de sangue do cordão umbilical, o facto de estar preocupada com o barulho que tinha feito e com os vizinhos, ou a possibilidade de visita inesperada da minha mãe lá a casa (ela não sabia que tínhamos entrado em t.p. nem que iamos ter a moyinha em casa) e não era assim que eu queria que ela soubesse. Penso que terá sido todo este stress que fez com que a minha dequitadura tenha demorado o mesmo tempo que o próprio parto activo (~5h) apesar de a placenta já se ter destacado por completo logo passada 1h do parto da moyinha. Este facto "impediu-me" de estar as primeiras horas a ligar-me com a minha filha (ela mamou a primeira hora, mas depois eu refugiei-me na w.c. porque estava com muitas dores e só queria que a placenta nascesse para poder voltar para ela para que ela não me ouvisse em dores). Por um lado foi estupidez porque eu já sabia que o facto de ela mamar ajudava o útero a contrair e tal até podia acelerar o processo de dequitadura. Ela foi-me trazida várias vezes para mamar, mas o restante tempo ficou ao colo do pai, a chuchar no seu dedo mindinho (o que eu acho que prejudicou e muito as primeiras semanas de amamentação, visto que ela memorizou que só precisava abrir um bocadinho a boca para que o dedo entrasse e quando passava para a mama fazia a pega da mesma forma. Consequência: má pega - dor - fissuras - mais dor - crostas - dor. Mas felizmente com muita paciência, lágrimas e ajuda conseguimos estabelecer uma excelente pega e continuidade na amamentação).
O médico obstetra Michel Odent refere (penso que é no Childbirth in the Age of Plastics) que os primeiros momentos após o nascimento são muito importantes na ligação progenitora-cria e que a mãe e o bébé devem ter oportunidade de criar esse laço sem a interferência de terceiros ou muita agitação. A parteira pode monitorizar as coisas, mas de preferência de longe, se tudo estiver bem. Ele refere que nesses breves minutos há um fluir de hormonas mais forte que em qualquer momento subsequente e tal deve ser respeitado pelos outros e aproveitado pela mãe para criar o bonding com o seu bébé.
Eu tive mais sorte que a maior parte das mulheres que nem descanso têm e são logo "forçadas" a parir a placenta imediatamente ou vêem os seus bébés retirados dos braços para medir/pesar/limpar... Mas faz pensar que realmente os primeiros momentos entre mamã e bébé deviam ser mais calmos e respeitados pela sua importância num sem número de níveis, em especial por ser um instinto primário de manter o bébé a um nível abaixo do nível da placenta para facilitar a transfusão de mais sangue para o bébé, o que é benéfico para o seu começo de vida.
Eu própria me senti culpada mais tarde: "Como é que eu não peguei logo nela?" E no entanto isso tem uma explicação fisiológica:
It is instinct in some mammals to rest in the first 30s-1m or so after birth – leaving the baby undisturbed during placental transfusion. Do we have these same instincts, to be above our babies, to gaze at and touch our babies, to watch them breathe and check the cord…before lifting our babies up??
I know some women interpret their responses and feelings immediately after birth as somehow “not caring about the baby at first”. Some women feel surprised or even ashamed they were not instantly responsive to their newborn. But what if this ‘rest and be thankful’ stage is protective, provides babies with a faster, less complicated transition, and restored blood volume quicker after birth??
Outro artigo que encontrei entretanto sobre o tema, do Dr. M. Odent:
Their [the midwives] other goal is to make sure the mother is not distracted at all [during the 1st hour after birth] while looking at the baby’s eyes and feeling contact with the baby’s skin. There are countless avoidable ways of distracting mother and baby at that stage. The mother can be distracted because she feels observed or guided, because somebody is talking, because the birth attendant wants to cut the cord before the delivery of the placenta, because the telephone rings, or because a light is suddenly switched on, etc. At that stage, after a birth in physiological conditions, the mother is still in a particular state of consciousness, as if "on another planet." Her neocortex is still more or less at rest. The watchword should be, "Don’t wake up the mother!"
Boas leituras,
m.
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Lisboa, Portugal
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sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Dor versus sofrimento
![]() |
| Ghost (Natasha Poly: Multiple Exposure) by Marco Brambilla 2009 |
- dor de dentes
- dor de cabeça
- dor de barriga
- dores nas costas
- dor de estômago
- dores nas articulações
- dores de esforço (no ginásio)
- dores de pós-cirurgia estética
- dores de burro (quando correm)
- dores de corpo (no dia após exercício físico)
- dores na pele quando vão fazer tatuagens ou piercings
- dores nas mãos quando descascam algo por horas a fio
- dores nos olhos quando estão demasiado tempo emfrente a um ecran ou a ler
- dores nos pés (quando usam "aqueles" sapatos o dia inteiro ou levam aquela pisadela)
Se na maior parte das vezes não tomam nada para minorar estas dores ou se tomam, aguentam algumas horas até terem o medicamento ou este fazer efeito... porque é que as mulheres "já nascem" a pedir a epidural?
A dor do parto é:
1) suportável, especialmente quando esclarecemos todos os nossos medos, somos correctamente acompanhadas e temos acesso a métodos alternativos de alívio da dor
2) variável: geralmente basta mudarmos de posição para sentir alívio (é o corpo a comunicar-nos como nos devemos posicionar para um parto mais rápido); e as contracções têm intervalos que permitem à mulher descansar entre eless
3) no final não é só o alívio da dor que acontece: é um bebé nos braços, um bebé que passa por essas dores ou anestesias convosco e que não tem poder de decisão...
Eu não acredito que uma mulher que escolha voluntáriamente fazer uma cirurgia estética ou uma tatuagem ou piercings não consiga depois aguentar as dores de um parto totalmente fisiológico (isto implica a ausência de indutores químicos externos).
Porque é que as mulheres de hoje, que são em tudo equivalentes aos homens, têm medo do parto? E das sensações que estão associadas ao parto? Se são capazes de se atirar de um avião, fazer escalada, asa delta, parapente, bungie-jumping, rapel, ir para a tropa! Não têm medo de todas estas actividades mas têm medo das próprias contrações??
Adorei o vídeo seguinte porque a autora descreve tanto a dor como o sofrimento:
Dor: é uma sensação física desagradável; muitas vezes é associada a "dano" mas é mais frequentemente associada a uma acção muscular/física.
Sofrimento: é a sensão estar oprimido e desamparado; sem controlo; pode ocorrer sem a presença de dor: p.e., sofrimento emocional.
quarta-feira, 18 de maio de 2011
O segredo para o sucesso da amamentação está... no parto! [Celebrando a Semana Mundial para o Parto Respeitado]
Este texto é tãooo bom, por tantos motivos... Aconselho todas as mamãs e futuras-mamãs a dar uma vista de olhos.
Hoje, relativamente ao Parto retiro este pensamento (que tomei a liberdade de traduzir), para que reflictamos nas nossas potencialidades e naquilo que consideramos serem as nossas fraquezas:
As mulheres de hoje exercem trabalhos físicos extenuantes nos ginásios, nos seus quintais e talvez até mesmo no seu trabalho. "No pain, no gain". A anestesia ajudaria neste tipo de trabalhos? Não; só evitaria que elas fizessem o trabalho tão bem. As mulheres de hoje entendem a noção de trabalho físico extenuante tão bem quanto as suas mães o entendiam, e estão plenamente equipadas para o esforço físico de ter um bebé. O que elas temem, talvez, é a perda de controlo que advém de fazer um trabalho que não lhes é familiar. Assim, elas abdicam de TODO o controlo, tornando-se espectadoras nos seus próprios trabalhos de parto. Mas TU consegues fazer este trabalho! TU nasceste para o fazer, TU estás construída de forma a fazê-lo, todas as sensações são provenientes dos teus próprios músculos, e se alguma vez olhares para a cara de uma mulher que conseguiu parir por si, completamente nos seus termos, poderás ver que isso é um dos pontos mais altos que uma mulher pode vivenciar.
Acrescento que nem todos os partos têm que ter dor e que nem todas as dores são más. A "dor" ou sensações que se experienciam durante as contrações do trabalho de parto, são guias para o que está a acontecer. Avisam a mulher que o bebé vem a caminho, ensinam-lhe qual a posição que deve adoptar, explicam-lhe que deve usar os períodos de ausência de sensação para descansar, alertam-na quando algo não está bem. Tal como li noutro texto um dia: será qie alguém quererá uma epidural para o acto de se apaixonar? Penso que não: poderia evitar sentir a dor do coração a quebrar, mas também não sentiria a felicidade de Amar plenamente...
Hoje, relativamente ao Parto retiro este pensamento (que tomei a liberdade de traduzir), para que reflictamos nas nossas potencialidades e naquilo que consideramos serem as nossas fraquezas:
As mulheres de hoje exercem trabalhos físicos extenuantes nos ginásios, nos seus quintais e talvez até mesmo no seu trabalho. "No pain, no gain". A anestesia ajudaria neste tipo de trabalhos? Não; só evitaria que elas fizessem o trabalho tão bem. As mulheres de hoje entendem a noção de trabalho físico extenuante tão bem quanto as suas mães o entendiam, e estão plenamente equipadas para o esforço físico de ter um bebé. O que elas temem, talvez, é a perda de controlo que advém de fazer um trabalho que não lhes é familiar. Assim, elas abdicam de TODO o controlo, tornando-se espectadoras nos seus próprios trabalhos de parto. Mas TU consegues fazer este trabalho! TU nasceste para o fazer, TU estás construída de forma a fazê-lo, todas as sensações são provenientes dos teus próprios músculos, e se alguma vez olhares para a cara de uma mulher que conseguiu parir por si, completamente nos seus termos, poderás ver que isso é um dos pontos mais altos que uma mulher pode vivenciar.
Acrescento que nem todos os partos têm que ter dor e que nem todas as dores são más. A "dor" ou sensações que se experienciam durante as contrações do trabalho de parto, são guias para o que está a acontecer. Avisam a mulher que o bebé vem a caminho, ensinam-lhe qual a posição que deve adoptar, explicam-lhe que deve usar os períodos de ausência de sensação para descansar, alertam-na quando algo não está bem. Tal como li noutro texto um dia: será qie alguém quererá uma epidural para o acto de se apaixonar? Penso que não: poderia evitar sentir a dor do coração a quebrar, mas também não sentiria a felicidade de Amar plenamente...
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Estomatite quê?
Estomatite Aftosa.
Um nome pomposo para uma infecção viral que provoca a inflamação e sangramento das gengivas, acompanhado da formação de aftas, possíveis borbulhas na cara e corpo e febre baixa a alta por c. de 7 dias.
Descobri isto depois de a moyinha apresentar uma semana de febre baixa de forma intermitente e de visitar 2 hospitais e um centro de saúde e contactar a linha Saúde 24.
Depois de virmos da Rússia, a moyinha com 2 quedas aparatosas que lhe deixaram o narizinho vermelho (ARGHHHHH!), vinha muito incomodada com os dentes. Já antes da viagem vinha estando irritada pelo nascimento de um incisivo inferior, mas denotei há c. de 2 semanas que os molares superiores e inferiores estão a romper e ela anda a dar noites de "cão" e anda fora do seu comportamento normal de dia. Continua a brincar e não perdeu todo o apetite mas está muito mais carente, irrita-se com mais facilidade e come muito menos (i.e., mama muito mais).
Há c. de uma semana que notei que ela estava bem quentinha e um pouco abatida e tirei-lhe a temperatura: 38,6ºC. Como não estava muito alta e os dentes estavam a romper, decidi não lhe dar nada para baixar a febre visto que esta, mais do que um sintoma, é um sinal de que o corpo está a combater o problema. Ela mantinha-se brincalhona e com algum apetite, apesar do cócó estar mais mole, pelo que atribuí a alteração ao romper dos dentes: ela várias vezes abria a boca e gemia a apontar com o dedinho para a gengiva inchada no local dos molares inferiores.
Mas na 2a feira a situação alterou-se: ao final do dia surgiu uma pequena bolha vermelha na cara e duas aftas na gengiva do maxilar inferior. A febre continuava baixa e intermitente e ela estava com uma halitose desgraçada. Nisto, a ama Malú lançou a bomba: não seria varicela? No dia seguinte, com o surgir de 4 novas bolhas, na cara e corpo, ligámos ao ao pediatra que nos disse para lá irmos de imediato. Fomos a correr para o Hospital e ele lá a observou. Na opinião dele, nao era varicela, mas iamos aguardar mais 24h para ver como o quadro evoluía. Perguntei-lhe sobre a halitose e a inflamação gengival mas ele também atribuiu isso ao romper dos dentes.
Ao chegar a casa, notei que parecia haver umas fibras castanhas presas entre os incisivos superiores: a gengiva estava bastante vermelha e inchada, tanto que os dentes até parecia terem ficado mais pequenos... Decidi remover as fibras com o auxílio da escova de dentes e aí, o Armagedeão despoletou! Ela começou a chorar aos gritos, com a boca ensanguentada, o sangue saía afluentemente... Estanquei a hemorragia com uma compressa embebida em água oxigenada e vi como as "fibras" afinal eram pus que estava a sair das gengivas... Assustada, liguei de imediato para a Linha Saúde 24 (808 24 24 24) e lá fui dizendo o que se estava a passar à Enfª, por entre os gritos da moyinha. Nisto a moyinha toca com a boca na minha mão e desata a sangrar novamente... Um horror... A Enfª diz que o melhor é eu ir já para o Centro de Saúde e que ia mandar um fax a explicar a situação ao pessoal de lá, para quando eu chegasse, fosse mais rápido. Lá fomos nós a correr de novo, entre chamadas ao pediatra (que disse que era normal ela sangrar), e ao chegar lá nao havia pediatra para a observar e já nem consultas de recurso havia. Além disso, "como ela não está inscrita no Centro de Saúde, não pode ser atendida". Fiquei atónita. Expliquei que tanto eu como o pai estávamos ali inscritos (não serviu de nada) e que tinha sido a Enfª do Saúde 24 que tinha dito para eu lá ir (apesar de eu lhe ter dito que achava que eles não atendiam até tão tarde: 18h). Perguntei pelo fax e o que era necessário para inscrevê-la. Responderam-me que não tinham recebido qualquer fax e que era preciso o cartão de cidadão (que eu tinha deixado em casa). Sem isso não podiam fazer nada. Revoltada com esta incompetência, peguei nela e vim-me embora. Como temos um conhecimento no Hospital Amadora-Sintra, liguei para lá e decidimos ir à urgência, porque o cheiro fétido da boca dela e o pus tinham-me deixado preocupada... Depois de esperarmos um pouco, lá foi vista e diagnosticaram-lhe uma estomatite aftosa. As médicas e as enfªs foram amorosas: sempre que tinha que dar de mamar elas aguardavam para examinar a menina e muitas das vezes chegaram a dar-me os parabéns por continuar a amamentar. Supostamente a estomatite cria aftas e borbulhas no interior e exterior da boca mas passa sozinha, em 7 dias. Não é necessário aplicar mais nada sem ser algo para minorar o desconforto da bebé: um anti-inflamatório, um anti-pirético e um desinfectante (embora me tenham dito que não era necessário este último).
De qualquer forma, apenas estamos a fazer Bucagel quando ela fica muito aflita porque 1) já não tem febre; 2) a inflamação já está menor. Continuo a limpar-lhe as gengivas muito suavemente com água oxigenada diluída ou soro fisiológico e gaze 2x/dia (ela costuma sangrar e purgar pus, mas o cheiro já não tem nada a ver) e a dar-lhe um spray de fito-desinfectante e Chamodent para o romper dos dentinhos.
Apesar de ela geralmente não deixar fazer, estes dias têm sido uma excepção: a reflexologia podal tem sido muito útil para estimular as defesas dela. A maminha e canjinha de arroz com alga tem permitido que ela não desidrate e se alimente...
Melhora rápido, filhota!
Um nome pomposo para uma infecção viral que provoca a inflamação e sangramento das gengivas, acompanhado da formação de aftas, possíveis borbulhas na cara e corpo e febre baixa a alta por c. de 7 dias.
Descobri isto depois de a moyinha apresentar uma semana de febre baixa de forma intermitente e de visitar 2 hospitais e um centro de saúde e contactar a linha Saúde 24.
Depois de virmos da Rússia, a moyinha com 2 quedas aparatosas que lhe deixaram o narizinho vermelho (ARGHHHHH!), vinha muito incomodada com os dentes. Já antes da viagem vinha estando irritada pelo nascimento de um incisivo inferior, mas denotei há c. de 2 semanas que os molares superiores e inferiores estão a romper e ela anda a dar noites de "cão" e anda fora do seu comportamento normal de dia. Continua a brincar e não perdeu todo o apetite mas está muito mais carente, irrita-se com mais facilidade e come muito menos (i.e., mama muito mais).
Há c. de uma semana que notei que ela estava bem quentinha e um pouco abatida e tirei-lhe a temperatura: 38,6ºC. Como não estava muito alta e os dentes estavam a romper, decidi não lhe dar nada para baixar a febre visto que esta, mais do que um sintoma, é um sinal de que o corpo está a combater o problema. Ela mantinha-se brincalhona e com algum apetite, apesar do cócó estar mais mole, pelo que atribuí a alteração ao romper dos dentes: ela várias vezes abria a boca e gemia a apontar com o dedinho para a gengiva inchada no local dos molares inferiores.
Mas na 2a feira a situação alterou-se: ao final do dia surgiu uma pequena bolha vermelha na cara e duas aftas na gengiva do maxilar inferior. A febre continuava baixa e intermitente e ela estava com uma halitose desgraçada. Nisto, a ama Malú lançou a bomba: não seria varicela? No dia seguinte, com o surgir de 4 novas bolhas, na cara e corpo, ligámos ao ao pediatra que nos disse para lá irmos de imediato. Fomos a correr para o Hospital e ele lá a observou. Na opinião dele, nao era varicela, mas iamos aguardar mais 24h para ver como o quadro evoluía. Perguntei-lhe sobre a halitose e a inflamação gengival mas ele também atribuiu isso ao romper dos dentes.
Ao chegar a casa, notei que parecia haver umas fibras castanhas presas entre os incisivos superiores: a gengiva estava bastante vermelha e inchada, tanto que os dentes até parecia terem ficado mais pequenos... Decidi remover as fibras com o auxílio da escova de dentes e aí, o Armagedeão despoletou! Ela começou a chorar aos gritos, com a boca ensanguentada, o sangue saía afluentemente... Estanquei a hemorragia com uma compressa embebida em água oxigenada e vi como as "fibras" afinal eram pus que estava a sair das gengivas... Assustada, liguei de imediato para a Linha Saúde 24 (808 24 24 24) e lá fui dizendo o que se estava a passar à Enfª, por entre os gritos da moyinha. Nisto a moyinha toca com a boca na minha mão e desata a sangrar novamente... Um horror... A Enfª diz que o melhor é eu ir já para o Centro de Saúde e que ia mandar um fax a explicar a situação ao pessoal de lá, para quando eu chegasse, fosse mais rápido. Lá fomos nós a correr de novo, entre chamadas ao pediatra (que disse que era normal ela sangrar), e ao chegar lá nao havia pediatra para a observar e já nem consultas de recurso havia. Além disso, "como ela não está inscrita no Centro de Saúde, não pode ser atendida". Fiquei atónita. Expliquei que tanto eu como o pai estávamos ali inscritos (não serviu de nada) e que tinha sido a Enfª do Saúde 24 que tinha dito para eu lá ir (apesar de eu lhe ter dito que achava que eles não atendiam até tão tarde: 18h). Perguntei pelo fax e o que era necessário para inscrevê-la. Responderam-me que não tinham recebido qualquer fax e que era preciso o cartão de cidadão (que eu tinha deixado em casa). Sem isso não podiam fazer nada. Revoltada com esta incompetência, peguei nela e vim-me embora. Como temos um conhecimento no Hospital Amadora-Sintra, liguei para lá e decidimos ir à urgência, porque o cheiro fétido da boca dela e o pus tinham-me deixado preocupada... Depois de esperarmos um pouco, lá foi vista e diagnosticaram-lhe uma estomatite aftosa. As médicas e as enfªs foram amorosas: sempre que tinha que dar de mamar elas aguardavam para examinar a menina e muitas das vezes chegaram a dar-me os parabéns por continuar a amamentar. Supostamente a estomatite cria aftas e borbulhas no interior e exterior da boca mas passa sozinha, em 7 dias. Não é necessário aplicar mais nada sem ser algo para minorar o desconforto da bebé: um anti-inflamatório, um anti-pirético e um desinfectante (embora me tenham dito que não era necessário este último).
De qualquer forma, apenas estamos a fazer Bucagel quando ela fica muito aflita porque 1) já não tem febre; 2) a inflamação já está menor. Continuo a limpar-lhe as gengivas muito suavemente com água oxigenada diluída ou soro fisiológico e gaze 2x/dia (ela costuma sangrar e purgar pus, mas o cheiro já não tem nada a ver) e a dar-lhe um spray de fito-desinfectante e Chamodent para o romper dos dentinhos.
Apesar de ela geralmente não deixar fazer, estes dias têm sido uma excepção: a reflexologia podal tem sido muito útil para estimular as defesas dela. A maminha e canjinha de arroz com alga tem permitido que ela não desidrate e se alimente...
Melhora rápido, filhota!
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Partos de celebridades
Depois de ter descoberto uma das minhas ídolas televisivas a dar a cara pela amamentação e parto natural (Lucy Lawless), levantei a ponta do véu para o tema partos em casa por celebridades.Perto do Natal, em que se celebram 2009 anos do parto natural mais importante da civilização ocidental, decidi pesquisar por mais celebridades que tenham dado a cara pelo parto natural/domiciliar. Por coincidência, encontrei nesta semana uma nova entrevista numa revista cor-de-rosa de uma famosa portuguesa que tentou o parto em casa e acabou no hospital... (é pena que a dita entrevista não tenha servido para aclarar o que de erróneo e obscuro foi dito - e do que ficou por dizer - na entrevista anterior, mas pronto). Resta-me dizer que se mãe e bebé chegaram a tempo e horas ao hospital, isso faz parte do desfecho possível para um parto domiciliar: ainda bem que quando algo não está bem e se detecta atempadamente, há uma opção de transferência em segurança. Não é um "falhanço", mas sim uma benesse...
Por ser seguro, e porque muito mais famosas (não é que sejam melhores que as anónimas) deram a cara pelo parto natural e domiciliar, não porque fosse moda mas porque consideraram ser o melhor para si e para os seus bebés, aqui fica uma pequena lista de nomes que encontrei, de mulheres que recorreram a partos domiciliares assistidos por parteiras:
- Cindy Crawford, modelo, 3 partos
- Nelly Furtado, cantora, 1 parto
- Pamela Anderson, actriz, 2 partos
- Demi Moore, actriz, 3 partos
- Merryl Streep, actriz, 3 partos
- Davina McMcall, apresentadora de TV inglesa, 3 partos
- Kelly Preston (esposa de John Travolta), 2 partos
- Ricky Lake, apresentadora americana, 1 parto
- Tabitha King (esposa do escritor Stephen King), escritora, 1 parto
- Thandie Newton, actriz, 1 parto
- Lisa Bonnet (pai:Lenny Kravitz), actriz, 1 parto
- Julianne Moore, actriz, 1 parto
- Joanne Kilmer (esposa de Val Kilmer), 1 parto
- Paulina Porsikova, modelo, 2 partos
...entre outros casais/mulheres famosas!
Brevemente vai sair um filme pelas produtoras do "Business of Being Born" com entrevistas a diversas mulheres (famosas e não-famosas) sobre os seus partos. Podem ver o trailer aqui.
Deixo aqui também a entrevista de Cindy Crawford ao canal MyBestBirth, em que fala da experiência de dar luz o seu primeiro filho, em casa, assistida por parteiras [depois desse ainda teve mais 2, também em casa!]. Revejo-me muito no que ela diz e fora um ou outro pormenor, senti o que ela descreve, na íntegra!
Cindy-parte 1
Cindy-parte 2
Cindy-parte 3
Cindy-parte 4
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segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Um dos relatos mais bonitos que já li...
Não há uma forma certa de nascer, mas há nascimentos mais suaves que outros :)
Este foi o culminar de uma caminhada consciente.
Leiam aqui.
Este foi o culminar de uma caminhada consciente.
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sexta-feira, 4 de setembro de 2009
o blogue é meu!
Pois é. é meu e eu não trabalho na área e por isso não tenho que ser politicamente correcta!
Por isso vou aqui falar da entrevista da Adelaide de Sousa à Caras sobre o parto do seu filho Kyle. Se ela não vê mal em falar em praça pública do que (ela acha que) aconteceu, eu ainda menos!
Tivemos a mesma parteira e conheço a sua doula. Sei que as pessoas mudam, que nenhuma mulher ou parto são iguais, mas acho esquisito algumas coisas que foram ditas na entrevista relativamente ao atendimento...
Por isso vou aqui falar da entrevista da Adelaide de Sousa à Caras sobre o parto do seu filho Kyle. Se ela não vê mal em falar em praça pública do que (ela acha que) aconteceu, eu ainda menos!
Tivemos a mesma parteira e conheço a sua doula. Sei que as pessoas mudam, que nenhuma mulher ou parto são iguais, mas acho esquisito algumas coisas que foram ditas na entrevista relativamente ao atendimento...
Fico com pena que ela não tenha tido a experiência com que sonhava. Ainda mais pena tenho, que o medo que sentiu (e que provavelmente fez com que ela não produzisse oxitocina, e sim adrenalina) e que todos dizem que ela devia ter tido em quantidade suficiente para não fazer o que fez, a façam ignorar tudo aquilo em que acreditou durante meses: que o parto domiciliar assistido é algo seguro e vantajoso para o bebé e para os pais. Continuo a afirmar que o parto é fisiológico e não deve ser considerado patológico por rotina. Já há dois estudos (2008 e 2009) que indicam que para gravidezes de baixo risco, o parto em casa assistido por um profissional de saúde traz menos riscos que o hospitalar.
A questão é que a gravidez dela deixou de ser de baixo risco... Penso que aos 40 anos, com 42 semanas de gestação, falta de alguns exames e a bolsa rota por mais de 24h eram mais que factores para pôr o parto domiciliar de lado... Mas essa era uma situação a ser analisada por ela, pela família e pelos profissionais de saúde que a seguiam tendo em conta todos os exames e análises que fossem necessárias.
Tal não invalida, obviamente, que o atendimento hospitalar seja necessário: em muitos casos, este é um deles, os médicos, hospitais e procedimentos SALVAM vidas e estão cá para isso mesmo! Ainda bem que foi bem recebida e que não a discriminaram (como acontece a algumas parturientes que tendo que seguir por precaução para o hospital depois de tentativa de parto domiciliar, ainda são maltratadas e enxovalhadas pelas equipas médicas).
Não conheço os contornos do caso, mas parece-me que se esperou demasiado tempo para tomar a decisão de ir para o hospital, o que não parece de todo a atitude que a pessoa que a atendeu costuma ter. Eu também fui atendida por essa pessoa em Março deste ano, quando tive a minha filhota, tal como muitas outras mamãs que também já foram atendidas por ela, nas nossas respectivas casas, em experiências gratificantes e muito boas! Também conheço histórias de mamãs que começaram o parto em casa assistidas por essa pessoa, mas que tiveram que ser deslocadas para o hospital - a decisão foi sempre tomada atempadamente quando ainda não implicava risco para mãe ou bebé... Seja em casa ou no hospital, o parto não é isento de riscos, e seja qual for a opção tomada, temos que aceitar que as coisas podem não correr como planeámos...
Acho estranho ela dizer que não lhe foi feito o teste para ver se tinha infecção: isso é feito às 36-38 semanas, já para despistar possíveis problemas no parto. Acho estranho referirem que não houve monitorização: a nossa parteira leva sempre com ela tanto o CTG como o doppler e verifica regularmente a pulsação da mãe e bebé! Acho estranho terem achado esquisito ela "ficar com uma cara distorcida e em sofrimento" "sem acesso a medicação para as dores": a doula deve-lhes ter explicado que 1) o parto só muito raramente é isento de dor e 2) em casa não há epidurais... O que esperavam eles?
É certo que tudo é ainda muito recente e ambos os pais parecem ter passado por uma experiência muito traumática, mas acho estranho que tenham "deitado fora todos os livros e coisas sobre o parto em casa"... Lá por ter tido uma má experiência, certamente não podem ignorar que havia factores de risco naquele parto, que nem sequer se põem noutros casos! Lá por o deles ter corrido mal não podem ignorar que a maior parte deles corre bem...
Também me parece que não estavam emocionalmente preparados para um parto domiciliar: em especial o pai, que nessas alturas deve tentar manter a calma e transmitir segurança à grávida. Se eu visse o meu marido desatar a chorar em aflição durante o meu parto, obviamente que ainda ficaria mais preocupada! No fundo, no fundo, não acreditaram ser capazes e o medo e as horas que passavam tornavam isso cada vez mais real...
De qualquer das formas ela passou por muito e espero que o Kyle traga toda a felicidade para a sua nova família e que a Adelaide cicatrize as feridas do parto: físicas e emocionais.
A questão é que a gravidez dela deixou de ser de baixo risco... Penso que aos 40 anos, com 42 semanas de gestação, falta de alguns exames e a bolsa rota por mais de 24h eram mais que factores para pôr o parto domiciliar de lado... Mas essa era uma situação a ser analisada por ela, pela família e pelos profissionais de saúde que a seguiam tendo em conta todos os exames e análises que fossem necessárias.
Tal não invalida, obviamente, que o atendimento hospitalar seja necessário: em muitos casos, este é um deles, os médicos, hospitais e procedimentos SALVAM vidas e estão cá para isso mesmo! Ainda bem que foi bem recebida e que não a discriminaram (como acontece a algumas parturientes que tendo que seguir por precaução para o hospital depois de tentativa de parto domiciliar, ainda são maltratadas e enxovalhadas pelas equipas médicas).
Não conheço os contornos do caso, mas parece-me que se esperou demasiado tempo para tomar a decisão de ir para o hospital, o que não parece de todo a atitude que a pessoa que a atendeu costuma ter. Eu também fui atendida por essa pessoa em Março deste ano, quando tive a minha filhota, tal como muitas outras mamãs que também já foram atendidas por ela, nas nossas respectivas casas, em experiências gratificantes e muito boas! Também conheço histórias de mamãs que começaram o parto em casa assistidas por essa pessoa, mas que tiveram que ser deslocadas para o hospital - a decisão foi sempre tomada atempadamente quando ainda não implicava risco para mãe ou bebé... Seja em casa ou no hospital, o parto não é isento de riscos, e seja qual for a opção tomada, temos que aceitar que as coisas podem não correr como planeámos...
Acho estranho ela dizer que não lhe foi feito o teste para ver se tinha infecção: isso é feito às 36-38 semanas, já para despistar possíveis problemas no parto. Acho estranho referirem que não houve monitorização: a nossa parteira leva sempre com ela tanto o CTG como o doppler e verifica regularmente a pulsação da mãe e bebé! Acho estranho terem achado esquisito ela "ficar com uma cara distorcida e em sofrimento" "sem acesso a medicação para as dores": a doula deve-lhes ter explicado que 1) o parto só muito raramente é isento de dor e 2) em casa não há epidurais... O que esperavam eles?
É certo que tudo é ainda muito recente e ambos os pais parecem ter passado por uma experiência muito traumática, mas acho estranho que tenham "deitado fora todos os livros e coisas sobre o parto em casa"... Lá por ter tido uma má experiência, certamente não podem ignorar que havia factores de risco naquele parto, que nem sequer se põem noutros casos! Lá por o deles ter corrido mal não podem ignorar que a maior parte deles corre bem...
Também me parece que não estavam emocionalmente preparados para um parto domiciliar: em especial o pai, que nessas alturas deve tentar manter a calma e transmitir segurança à grávida. Se eu visse o meu marido desatar a chorar em aflição durante o meu parto, obviamente que ainda ficaria mais preocupada! No fundo, no fundo, não acreditaram ser capazes e o medo e as horas que passavam tornavam isso cada vez mais real...
De qualquer das formas ela passou por muito e espero que o Kyle traga toda a felicidade para a sua nova família e que a Adelaide cicatrize as feridas do parto: físicas e emocionais.
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segunda-feira, 20 de julho de 2009
relato de parto natural na The Farm (EUA)
As I started to get fully dilated, I was using my whole mind and body to integrate the rushes. Pamela asked how I was doing and a whole continuum flashed through my head ranging from "It hurts!" to "Great!". I said "Great!" and everybody laughed. I saw how it's really free will whether you have fun or not having a baby, and at each point along the way when the rushes got heavier I deliberately decided to have a good time, because I really was grateful to be having a baby after having had a couple of miscarriages.
[parte do relato de Mary sobre o nascimento do seu filho Ernest in Spiritual Midwifery de Ina May Gaskin]
Tradução:
"À medida que comecei a dilatar completamente, usei toda a minha mente e corpo para assimilar as contracções. Pamela [a parteira] perguntou-me como é que eu estava a sentir-me e por momentos passei de pensar "isto dói!" para "óptima!". Disse então: "Óptima!" e toda a gente se riu. Eu tomei consciência de como é o livre arbítrio que faz com que apreciemos ou não parir, e em cada instante do caminho quando as contracções ficavam mais intensas eu decidia deliberadamente que iria passar um bom bocado, porque eu estava realmente grata por estar a ter um bebé depois de ter passado por dois abortos espontâneos."
Decidi partilhar este texto porque me identifico muito com ele: senti o mesmo durante o parto da Joaninha e acho que muitas mulheres passam pelo mesmo (a sensação que já não aguentamos mais, que dói). No entanto o que muitas mulheres não se apercebem é que a atitude que tomamos em relação a essa sensação é que é realmente importante e nos vai ajudar a viver esse momento. O sentimento de gratidão é muito poderoso e faz como que uma "ligação directa" à energia Universal!
Este fragmento de relato faz parte de um livro maravilhoso de uma parteira americana, que vive numa comunidade (The Farm) em que a maioria das mulheres tem os seus filhos de forma natural e que já recebe mamãs que os queiram ter desta forma, assistidas por parteiras, no seu centro de partos.
A meu ver o livro é muito interessante porque contém os relatos na 1ª pessoa de mães e pais que passaram por aquela experiência. A maioria deles foram assistidos apenas por parteiras na comunidade e é muito bonito ver que é preciso muito pouco para que uma mulher saudável com uma gravidez de baixo risco consiga parir o seu bebé de uma forma rápida e simples. Ina May apenas ajuda o casal a aceitar e compreender o processo fisiológico do parto e a desbloquear medos e sentimentos para que o parto ocorra mais facilmente.
Numa era e civilização em que a tecnologia é considerada "essencial" e "indispensável" e que as histórias que mais se difundem são as de partos hospitalares cheios de complicações e intervenções médicas, este livro traz-nos outra visão de como as coisas podem ser.
A dor existe, está lá, mas serve para nos guiar. E a nossa atitude para com ela é que determina se nos faz sofrer ou se apenas passa por nós e segue caminho... Mas isso dá azo a outro post... para breve.
[parte do relato de Mary sobre o nascimento do seu filho Ernest in Spiritual Midwifery de Ina May Gaskin]
Tradução:
"À medida que comecei a dilatar completamente, usei toda a minha mente e corpo para assimilar as contracções. Pamela [a parteira] perguntou-me como é que eu estava a sentir-me e por momentos passei de pensar "isto dói!" para "óptima!". Disse então: "Óptima!" e toda a gente se riu. Eu tomei consciência de como é o livre arbítrio que faz com que apreciemos ou não parir, e em cada instante do caminho quando as contracções ficavam mais intensas eu decidia deliberadamente que iria passar um bom bocado, porque eu estava realmente grata por estar a ter um bebé depois de ter passado por dois abortos espontâneos."
Decidi partilhar este texto porque me identifico muito com ele: senti o mesmo durante o parto da Joaninha e acho que muitas mulheres passam pelo mesmo (a sensação que já não aguentamos mais, que dói). No entanto o que muitas mulheres não se apercebem é que a atitude que tomamos em relação a essa sensação é que é realmente importante e nos vai ajudar a viver esse momento. O sentimento de gratidão é muito poderoso e faz como que uma "ligação directa" à energia Universal!
Este fragmento de relato faz parte de um livro maravilhoso de uma parteira americana, que vive numa comunidade (The Farm) em que a maioria das mulheres tem os seus filhos de forma natural e que já recebe mamãs que os queiram ter desta forma, assistidas por parteiras, no seu centro de partos.
A meu ver o livro é muito interessante porque contém os relatos na 1ª pessoa de mães e pais que passaram por aquela experiência. A maioria deles foram assistidos apenas por parteiras na comunidade e é muito bonito ver que é preciso muito pouco para que uma mulher saudável com uma gravidez de baixo risco consiga parir o seu bebé de uma forma rápida e simples. Ina May apenas ajuda o casal a aceitar e compreender o processo fisiológico do parto e a desbloquear medos e sentimentos para que o parto ocorra mais facilmente.
Numa era e civilização em que a tecnologia é considerada "essencial" e "indispensável" e que as histórias que mais se difundem são as de partos hospitalares cheios de complicações e intervenções médicas, este livro traz-nos outra visão de como as coisas podem ser.
A dor existe, está lá, mas serve para nos guiar. E a nossa atitude para com ela é que determina se nos faz sofrer ou se apenas passa por nós e segue caminho... Mas isso dá azo a outro post... para breve.
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