quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Reality shows...

Há quem já tenha desistido da TV.
Não sei porque ainda não o fiz.
Realmente tenho tantos bons livros para ler, uma bebé brincalhona fantástica, um marido carinhoso e dou por mim a ver o "Biggest Loser" ou outro programa que tal. Se bem que tal costuma acontecer quando vou para a cozinha fazer tarefas e ligo a tv para me manter entretida.
Correndo o risco de estar a ceder à "vozinha maldosa" de que falei no post anterior, vou relatar aqui 2 situações em reality shows que me chocaram (porque é que eu ainda me admiro com estas coisas?):
1) Na season 5 do B.Loser um dos casais concorrentes eram os pais de um bebé que ainda nem 2 anos tinha... No primeiro episódio, a mãe explicou que o marido tinha engordado muito e que ela também tinha ganho uns quilitos com a gravidez e que por isso esta era uma oportunidade de ouro para eles fazerem algo que em casa não conseguiriam. A princípio estava incrédula. Pensei que tivessem levado o bebé com eles. Depois percebi que não. Fez-me muita confusão, primeiro, como é que uma mãe (ou um pai) deixa o seu bebé, filho único, aos cuidados de outra pessoa (por melhor que seja). Depois, como é que um pai (ou uma mãe) deixa o seu bebé, sabendo que nem ele nem o outro progenitor irá estar presente. [Será que não pensam nas consequências que isso poderá ter?] Para quem não conhece o programa, é um reality show em que as pessoas entram para um "Campo de treino" em que não têm qualquer contacto com o exterior (excepto muito raros telefonemas ou idas a casa, e isso é mais para o fim do programa) durante 4 meses. SIM, 4 meses! Acho fantástico para quem queira mudar radicalmente de vida pois ensinam a importância do exercício físico e da alimentação a pessoas que nem sequer essa informação básica têm. Não percebo é como é que deixaram ambos os membros de um casal com um bebé com menos de 2 anos concorrer e serem seleccionados para participar. Sinceramente a minha vozinha está aqui a dizer que aquela mãe estava-se bem marimbando para aquela criança. Felizmente, acabaram por ser eliminados na 3a semana, por se ter chegado à conclusão que o marido não se esforçava o suficiente durante os treinos [será que ninguém pensava no bebé???]
Já chegámos a um ponto tal que é "normal" haver uma desresponsabilização total dos pais?
Acredito que aquele casal precisasse de perder peso, que isso fosse fundamental para a sua saúde e da do filho deles, que irá aprender com os seus hábitos, mas não podiam adiar essa ida mais dois ou três anos? Não poderiam começar em casa, num ginásio, com dieta, etc? Não poderiam ter ido um de cada vez (o programa era de pares de família: podiam ter levado o sogro, a sogra, o cunhado, o irmão, etc). Não poderiam pedir ao programa que o bebé os pudesse visitar diariamente, senão mesmo dormir lá com os seus pais?
Se isto passa na tv, que mensagem estamos a transmitir às gerações de crianças que vêem este programa? Que não faz mal abandonar os nossos filhos, se for para aparecer na tv ou perder peso?
Outro programa que me chocou foi o da MTV "16 and pregnant". É um reality show que mostra a realidade nua e crua da gravidez, parto e parentalidade na adolescência. Nos breves momentos de tv que vi não sabia se havia de rir ou chorar. Cheguei a pedir ao meu marido que pusesse um filme de terror (um dos Saw's), que me iria custar menos a ver. Por onde começar? Os adolescentes eram típicos "saloios" americanos, classe média-baixa, a meio do ensino secundário. Apanhei o episódio a meio. A mãe decidiu ficar com o bebé e o pai decidiu pedir a mãe em casamento e arranjou trabalho para as sustentar. São pessoas com pouca formação, pouca experiÊncia de vida, mas um bom coração. E é isso que custa mais: ver a sua ignorância derivada da negligência alheia. O parto foi induzido (penso que às 38 semanas), porque o bebé estava "a ficar grande". Mostraram a mão da mãe negra de tanta picada para pôr o soro com oxitocina e a administração de epidural (que lhe doeu imenso). Embora na consulta pré-natal a parteira que a seguiu no parto lhe tenha dito que podia mudar para uma posição mais confortável durante o parto, neste ela esteve permanentemente deitada, devido às dores, devido à epidural e devido à monitorização contínua. Depois de várias horas a bebé nasceu, de parto vaginal (vá lá que lhe deram tempo para parir) e foi logo arrebatada para ser limpa e aspirada, etc. A cena a seguir é ainda no hospital: o pai segura um biberon de suplemento e alimenta a bebé. Já em casa do casal, a mãe defende-se do marido, que acabou de chegar a casa cansado do trabalho e reclama que a casa está de pantanas. A bebé chora no berço e ninguém lhe pega. Pelos vistos, a rapariga passa os dias sozinha com a bebé e não tem ninguém que lhe dê suporte. Vê-se o pai, cansado, a pegar num biberon de fórmula para a alimentar enquanto a mãe vai dormir. Nunca se mostrou a mãe a amamentar nem sequer se justificou porque não o está a fazer. Passado umas semanas vão a uma consulta com a bebé porque esta está a respirar com dificuldade e come pouco. O médico diz que tem que fazer um teste que consiste em inserir uma sonda pelas narinas para ver qual é o problema. A mãe e o pai, ao ver a bebé com aquilo no nariz, não aguentam e saem do gabinete, deixando a filha sozinha com o pessoal médico. Conclusão do médico: é algo fisiológico e perfeitamente normal em bebés que passará com o crescimento (E ERA PRECISO ENFIAR UMA SONDA PELO NARIZ DA BEBÉ ACIMA PARA CHEGAR A ESSA CONCLUSÃO????). Enfim, depois disto não consegui ver mais...
Pontos positivos: os adolescentes que vêem este programa pensam 2 vezes antes de fazer sexo não-protegido.
Pontos negativos: os adolescentes que vêem este programa vão transformar-se em adultos que pensam que ter filhos é isto... E se calhar não vão querer ter filhos... Ou pior, vão tê-los e tratá-los assim.

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